PREVISÃO
DO TEMPO
31°

Notícias Noticias

Turismo de Rifaina é destacado em matéria especial do jornal Folha de SP

Matéria especial foi publicada no Jornal Folha de SP
PUBLICADO EM 29/05/2022

Dispostos a percorrer maiores distâncias para estar em espaços isolados e com natureza durante a pandemia, jovens de cidades grandes têm feito parte de uma mudança no perfil de visitantes de pequenos municípios à beira do Rio Grande, na fronteira entre São Paulo e Minas Gerais.

A inclusão das cidades do interior nos roteiros de férias e feriados impulsionou o mercado imobiliário da região. A Prefeitura de Rifaina (a 464 km de São Paulo), por exemplo, tem nove pedidos de loteamento aguardando aprovação, que devem gerar 2.604 novas propriedades.

O número de imóveis previstos é maior do que o registrado nos últimos cinco anos, quando foram licenciados quatro loteamentos e cinco edifícios, com um total de 1.596 imóveis, sendo 776 lotes e 820 apartamentos.

Um apartamento de luxo hoje em Rifaina (120 metros quadrados, 3 quartos) chega a custar até R$ 784 mil, e um terreno de 200 metros quadrados pode custar R$ 840 mil.

A valorização da região aconteceu em meio à pandemia, quando a cidade adotou medidas restritivas e houve uma mudança no perfil de turista na região.

Secretário de Turismo de Rifaina, Claudio Masson diz que, embora tenha perdido um público que ia só pelo dia na praia, a cidade conseguiu manter um novo turista, que consome mais na região.

"Houve uma mudança mais destacada no período em que a praia ficou fechada e somente o calçadão estava aberto. Tivemos somente o público que vem para frequentar quiosques, restaurantes e bares da orla para consumo", afirma.

Na mineira Sacramento, que é banhada pelas represas de Jaguara, Igarapava e Estreito, a chegada de turistas provenientes de regiões de um raio de 300 km cresceu de 40% para 65%.

"Outro aspecto relevante é a diminuição da faixa etária do turista que vem para a nossa cidade", afirmou Patrick Pacheco, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turístico.

A maior procura, segundo Pacheco, tem sido pelo turismo de aventuras, com destaque para cicloturismo, fazendo com que os destinos da região extrapolem a área do Rio Grande.

Dos imóveis aprovados em Rifaina, 60% são classificados como luxo. No caso de locações, os valores por final de semana, fora de temporada, variam de R$ 3 mil a R$ 5 mil, podendo chegar a R$ 15 mil em feriados mais movimentados, como o Carnaval.

O empresário João Mansano, 54, é de Ribeirão Preto e possui rancho na represa do Jaguara há cerca de 30 anos. Segundo ele, cresceu o número de pessoas procurando espaços para compra e locação.

No Bendito Rancho, espaço de alto padrão do empresário, os principais locadores antes da pandemia eram de cidades próximas, como Franca (SP) ou Araxá (MG). Agora, porém, os pedidos vêm da Grande São Paulo até Belo Horizonte.

"É uma forma segura de as famílias se encontrarem e aproveitarem um tempo junto durante essa pandemia que estamos vivendo. A gente sente que as pessoas querem sair da cidade para um lugar mais isolado", afirmou Mansano.

Amir Choaib, 64, engenheiro civil e proprietário da Urbanfield Empreendimentos de Ribeirão Preto, fez seu primeiro loteamento —o Morada da Fronteira— na represa do Jaguara no ano de 2000. Nos anos seguintes, vieram o Enseada da Fronteira, o complexo turístico Kanoah Home Resort e outros residenciais de alto padrão na região.

Este ano, em junho, já está programado o lançamento de mais um loteamento fechado com 300 lotes residenciais e 46 lotes de uso misto/comercial para atender a demanda crescente da área.

"A expectativa é que esse novo empreendimento denominado Jardim América torne-se futuramente um novo bairro de Rifaina", afirmou o engenheiro.

Para Choaib, os residenciais e as verticalizações dos últimos anos têm ajudado a acelerar a consolidação do interior também como polo de turismo à beira de lagos. "Rifaina já é um Município de Interesse Turístico e, com todos esses novos empreendimentos, em um curto período deve se tornar uma Estância Turística.

O construtor destacou que bens imóveis "privilegiados pela natureza", geralmente, são adquiridos para segunda moradia e com fins de lazer, mas a pandemia mudou alguns hábitos. "Na fase de isolamento social, as pessoas buscaram também qualidade de vida e um lugar mais tranquilo, e chegamos a ter mais de 70 famílias morando em um dos nossos residenciais enquanto estavam em home office", contou o engenheiro.

O empresário Marcelo Adriano Silva, 41, é de Sertãozinho e trabalha no ramo alimentício. Ele comprou o primeiro lote em Rifaina para ter uma casa de veraneio para a família em 2000, mas depois começou a construir para revender. Já fez oito imóveis e acabou de adquirir mais um lote residencial.

"É quase um hobby construir e também vou quase toda semana com família e amigos", afirmou o empresário. Para ele, a proximidade da represa é um diferencial importante. Para ele, a proximidade da represa é um diferencial importante.

"Gosto de andar de lancha e jet-ski, mas para ir até o litoral são no mínimo cinco horas de viagem. Aqui chegamos em uma hora e meia. Posso vir só para passar o fim de semana ou até em um bate-e-volta no mesmo dia".

FISCALIZAÇÃO

O secretário de Sacramento informou que neste ano devem ser intensificadas as fiscalizações nos ranchos que não estão legalmente cadastrados na Prefeitura.

"Estamos em fins de revisão do Plano Diretor e será dado o devido procedimento para que possamos regularizar todas as situações existentes em nosso município, proporcionando segurança jurídica para os proprietários, em contrapartida da oferta do serviço público cabível e justificável", disse Pacheco.

Essa iniciativa será realizada em parceria com a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) e o Cartório de Registro de Imóveis.

A proposta do Plano Diretor já passou por cinco audiências públicas, nas quais houve a participação popular, do Ministério Público, de conselhos municipais, da Câmara de Vereadores e líderes da sociedade civil.

De 2020 a 2021, houve o licenciamento de 31 imóveis em matrícula individualizada e de 11 condomínios em Sacramento.

Parte dos ranchos de Rifaina e Sacramento são localizados em áreas rurais, incluindo trechos de terra que levam a fazendas, nas quais é possível tomar um café da tarde mineiro ou comprar doces de compota e queijo.

Para além do turismo gastronômico, há ainda aluguel de caiaques, pranchas de stand-up paddle e aulas de mergulho (para ver as ruínas submersas da antiga cidade que ficava onde a represa está hoje).

O potencial náutico é outro destaque e há passeios de lancha e barco na região. Quem gosta de trilhas pode visitar o morro do Olimpo e o morro do Chapéu, na Serra da Canastra.

Masson, secretário de Turismo de Rifaina, lembra que não há cânions nesse trecho do Rio Grande, somente paredões - com destaque para o de arenito que fica em Sacramento.

"Realizamos informativos quanto a segurança e, no caso de lanchas e escunas, orientamos as empresas", afirmou Masson.

Pacheco, por sua vez, reforçou que não há regulamentação municipal de passeios nas represas do Rio Grande, uma vez que as obrigações do lado de Sacramento sobre embarcações são estabelecidas por normas federais e são regularmente fiscalizadas pela Capitania dos Portos de Minas Gerais.

Ainda assim, o município planeja fazer um levantamento técnico sobre os riscos e pontos críticos dentro de cada equipamento turístico divulgado pela cidade.

"Tais informações serão devidamente disponibilizadas em nosso site, para que possamos não só divulgar um destino turístico, mas que o façamos com todas as seguranças", reforçou Pacheco.

O suíço Dimitri Hebert Bottani, 51 anos, é empresário do ramo de gastronomia e veio para o Brasil fazer um tratamento médico para o filho.

Depois de morar em Ribeirão Preto, foi convidado a investir em um empreendimento imobiliário em Rifaina, onde além de uma oportunidade de negócio, encontrou a chance de trazer um pouquinho da Europa para perto de si.

"Lembro quando desci a serra pela primeira vez e vi a represa. Parecia com minha Lugano, na Suíça, que é uma cidade de lago. Nosso dia a dia aqui é muito legal, levo meu filho de lancha para escola, é um pequeno paraíso", contou Bottani.

Para o empresário, além da beleza natural, Rifaina tem como vantagem a organização, boa estrutura sanitária e o potencial de crescimento trazido pelos novos empreendimentos.

"Aceitei o desafio e encontramos equilíbrio aqui. Meu filho passou de uma cidade para um vilarejo com muita natureza e amigos e consegui desenvolver minha profissão, não tenho intenção nenhuma de mudar, amo Rifaina", afirmou o investidor