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JORNAL COMÉRCIO DA FRANCA DESTACA IMENSIDÃO DAS OBRAS NA “CURVA DA MORTE”

PUBLICADO EM 11/09/2009

O jornal Comércio da Franca publicou nesta sexta-feira, matéria de página inteira no “Tema do Dia” sobre as obras na “Curva da Morte”, na serra de Rifaina. A matéria é assinada pelo repórter Edson Arantes e tem cerca de 30 fotos de alta qualidade feitas pelo repórter fotográfico Tiago Brandão, ganhador de um Prêmio Esso de Jornalismo. Confira a íntegra da matéria:

“Aos poucos as máquinas vão desbravando o caminho. O ronco dos motores contrasta com a tranqüilidade da paisagem. Homens entrelaçam barras de ferro, cavam buracos, derrubam árvores. Ao fundo, as águas do Rio Grande completam o cenário. Uma estrada de terra ainda cheia de pedras e encharcada pelas últimas chuvas esboça o trajeto da futura pista. A base para receber os viadutos começou a ser preparada. O canteiro de obras parece um formigueiro. Um mês após começarem, as obras na curva da morte estão em ritmo acelerado. É preciso acabar o serviço em um ano. Ao lado dos peões e dos pesados tratores, lembranças das tragédias seguem vivas. Impossível ver destroços abandonados ali por perto e não se lembrar do ônibus que despencou na serra de Rifaina, em 2002, matando 20 pessoas.
Depois de quase uma centena de mortes e de incontáveis promessas políticas, as obras para eliminar a curva da morte começaram no dia 3 de agosto. Serão construídos três viadutos e uma pista nova no trecho de descida. A pista atual será usada como mão única para subir a serra. O investimento previsto é próximo de R$ 28,5 milhões. Pelo contrato assinado entre o Estado e a empreiteira responsável, a obra tem de ser entregue em um ano.
Na manhã de ontem, a reportagem visitou o canteiro de obras instalado bem abaixo da curva, onde carros, caminhões e ônibus já despencaram. Apesar do tempo ruim, os serviços seguiam a pleno vapor. Um exército formado por cerca de 70 homens está trabalhando no local. São engenheiros, encarregados, motoristas, mecânicos, armadores e operadores de máquina. Têm à sua disposição, uma frota de 29 equipamentos - que pode aumentar ou reduzir dependendo da necessidade - entre escavadeiras, motoniveladora, trator de esteira, rolo compressor, caminhões e geradores. “No momento estamos fazendo a terraplenagem e as fundações onde serão construídos os viadutos”. Parte da equipe está preparando as ferragens que serão usadas nas bases e estruturas de concreto”, contou o encarregado Francisco Toni de Oliveira.

Esta primeira etapa do serviço deve demorar em torno de dois meses. Em caso de chuva, as máquinas precisam ser desligadas. O próximo passo será levantar os pilares dos viadutos. A pista virá em seguida. Com a base montada em Rifaina, os funcionários só param no domingo. É o dia em que voltam para casa para rever a família. “Sempre que posso, vou para São Joaquim da Barra, onde moro”, disse Josenildo Ribeiro.
Entre um serviço e outro, os trabalhadores sempre se deparam com pedaços de pára-choques, faróis quebrados, borracha, madeira, peças não identificadas, pedaços de roupas e retalhos de pisos e telhas. É o que restou de acidentes ocorridos na serra. Próximo ao canteiro de obras não é preciso andar muito para encontrar jogado em alguns arbustos o teto de um ônibus. Dizem que era do ônibus de estudantes da Unifran que caiu no local há sete anos.

PERIGO
A se julgar pelo o que acontece na serra todos os dias, novos destroços podem se juntar à coleção. Homens e máquinas trabalhando, curva perigosa, placas de orientação, cruzes indicando que ocorreram mortes por todo o trecho da pista. Nada disto parece ser suficiente para conscientizar os motoristas que descem no sentido a Rifaina. “Quase todos os dias, a gente vê carros e caminhões descendo com uma velocidade de assustar. Infelizmente, ainda há muito motorista imprudente”, contou Joaquim Sequeiros, responsável pela parte mecânica da empreiteira. As obras estão em andamento e a curva da morte tem prazo para acabar. “Falta o motorista começar a fazer sua parte”. A matéria e fotos podem ser conferidas no
www.comerciodafranca.com.br.